As viagens de André Toral


Quando se lê uma história em quadrinhos criada por André Toral, logo se tem certeza de que aquelas páginas têm algo que a diferenciam de boa parte da produção do gênero. Não se trata apenas do seu traço marcante e dos criativos enquadramentos. Seus quadrinhos têm consistência histórica, roteiros minuciosamente elaborados e os diálogos dos personagens geralmente reproduzem o tempo e o local onde estão inseridos. Adeus Chamigo Brasileiro, verdadeira obra-prima que conta histórias sobre a Guerra do Paraguai, é fruto de uma profunda pesquisa acadêmica e foi sua tese de doutorado. “O quadrinho é uma linguagem tão boa quanto a literatura para se falar de ciência. O quadrinho não ilustra o texto, tem autonomia como linguagem”, disse Toral em entrevista publicada recentemente no Jornal da ABI.

Filho de dois destacados intelectuais – a historiadora e crítica de arte Aracy A. Amaral e o prestigiado artista plástico chileno Mário Toral –, desde criança o quadrinista conviveu num ambiente rodeado pela arte, mas chegou a ter complexo por não fazer uma “arte séria”, e sim quadrinhos. Puro engano. Sua obra é consistente e faz parte do que de melhor se produziu em hq no Brasil.

André Toral é antropólogo e atuou por trinta anos como indigenista a serviço de diversos órgãos públicos. Seu autor preferido é Hergé, criador de um personagem ícone das bandas desenhadas européias: Tintin. “Hergé me ensinou que hq é trabalho duro, nada vem fácil, tudo tem que ser construído”, disse. Mas ele confessa que tem uma relação “agoniada” com os quadrinhos: “Desenho muito devagar no lápis. Faço, não gosto; faço, não gosto; faço, gosto, acordo, não gosto, apago, faço de novo. Isso é defeito de quem nunca ganhou dinheiro com quadrinhos, como é o meu caso”, admite.

Seu envolvimento com essa arte começou na cultuada revista Animal. O álbum de estréia foi O Negócio do Sertão: Como Descolar uma Grana no Século XVII, premiado com o Troféu HQMix de Melhor Roteirista. Recentemente chegou às livrarias um novo álbum que reúne algumas das pequenas histórias publicadas na revista Brasileiros: Curtas & Escabrosas mostra que as narrativas não precisam ter muitas páginas para serem uma grande história. A maioria tem apenas duas. Pouco, mas o suficiente para Toral nos surpreender a cada quadrinho.

Eu e César Silva, editor do excelente blog Mensagens do Hiperespaço, entrevistamos André Toral para o Jornal da ABI. Ele nos contou também seu processo de criação e os perigos que enfrentou como antropólogo: “Eu não tinha a menor idéia do poder das pessoas com a qual a gente se batia, das ameaças concretas que estavam rolando”. Não é à toa que a leitura de seus quadrinhos é tão densa e prazerosa. “Faço uma história e ela vale pelo que se desenvolve. A travessia é o que conta, não é a chegada. A viagem é o importante”.

Para ler a entrevista, clique no link do Jornal da ABI (acima).

Todas as imagens publicadas podem ser ampliadas. Clique nelas.

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Cronologia dos Quadrinhos: lançamento!


Depois de alguns meses sendo adiada, finalmente foi lançada a edição especial do Jornal da ABI totalmente dedicada aos quadrinhos. É o número 362, que publica a segunda parte da Cronologia dos Quadrinhos iniciada na edição 348, onde foram publicados os principais eventos da nona arte até 1949. Nesta segunda edição, além da cronologia chegar ao ano de 1977, o leitor poderá conferir uma ótima entrevista com Mauricio de Sousa e outra com Floriano Hermeto, o cultuado desenhista que assinava FHAF e entrou para a história dos quadrinhos brasileiros pelo trabalho que realizou em apenas cinco histórias da revista O Judoka, da Ebal. A publicação também presta uma justa homenagem a Adolfo Aizen e a Jayme Cortez, pilares das hqs no Brasil.

O Jornal da ABI 362 – Cronologia dos Quadrinhos, Parte 2, que pode ser folheado virtualmente pela internet (clique no link), será lançado no Rio de Janeiro no dia 9 de fevereiro (próxima quarta) na Livraria da Travessa do Leblon a partir das 19h30min. O convite está aí embaixo. Clique nele para ampliá-lo.

Ficha técnica
Editores: Maurício Azêdo e Francisco Ucha
Projeto gráfico e diagramação: Francisco Ucha
Edição de textos: Maurício Azêdo
Pesquisa e redação: Francisco Ucha, Otacílio d’Assunção e César Silva (pesquisa)

O Príncipe das Trevas, de Homobono

Drácula - Antonino Homobono - Clique para baixar este papel de parede
Já faz algum tempo que quero publicar estes dois papéis de parede que fiz com desenhos do mestre Antonino Homobono Balieiro. Eles foram publicados na revista Capitão Mistério – Drácula da extinta Editora Bloch, cujas páginas você pode ver nesta postagem. O papel de parede de cima foi feito com os desenhos de Drácula, de Antonino - Clique para baixar este papel de parededois quadrinhos retirados das histórias A Vingança de Mary e A Semente do Mal, publicada nos números 26 e 28 da revista. O desenho de abertura dessa história também serviu de base para a montagem do wallpaper ao lado.

Para ler mais sobre Antonino Homobono, clique aqui e no link de cima. Para baixar mais um papel de parede com um desenho de Bruce Lee feito por Antonino, clique aqui. Baixe também este outro papel de parede do Drácula.

O Homem-Aranha chega ao Brasil

Homem-Aranha 1 - Ebal - Clique para ampliar
Em abril de 1969, a editora Brasil-América lançava a revista em quadrinhos de um personagem que iria marcar gerações: o Homem-Aranha. O adolescente tímido, sem recursos financeiros e com superpoderes já era um sucesso nos Estados Unidos e estreava no Brasil dois anos depois dos primeiros personagens da Marvel chegarem por aqui. O texto que apresentava o personagem aos leitores, publicado na contracapa da revista, era bastante formal (como de costume), e a tia do personagem foi rebatizada como “Tia Maria”, como pode-se ver nos seguintes trechos selecionados:

“Peter Parker era apenas um recém-nascido quando perdeu os pais. Seus tios Ben e Maria o adotaram , dispensando-lhe todos os cuidados para torná-lo feliz e bem formado. Quando Peter concluiu os preparatórios, ingressou na universidade, pensando em tornar-se um cientista. (…) Certa vez, algumas aranhas sob contaminação radiativa escaparam do laboratório da universidade. Antes que todos os aracnídeos fossem recolhidos ou destruídos, um deles picou a mão de Peter, que chegou a se julgar irremediavelmente perdido.

Mas, com o passar dos dias, o jovem nada sentiu de extraordinário. (…) Então começou a perceber que algo fenomenal estava se passando com ele. Suas mãos pareciam ter adquirido uma estranha aderência às superfícies lisas, permitindo-lhe até escalar paredes verticais. (…) Era como se fosse uma aranha humana, com todos os poderes de um verdadeiro aracnídeo. Nesse estado, Peter possuia a força descomunal de um inseto, proporcionalmente ao seu tamanho. Além disso, podia lançar teias ou atirar-se de grandes alturas, caindo incólume.

Quando Tio Ben foi morto por um assaltante que invadiu a casa para roubar, Peter e Tia Maria ficaram sós e sem meios de subsistência. Então, o jovem imaginou exibir-se nos palcos para ganhar dinheiro honestamente.

Mais tarde, revoltado com a crescente onda de crimes que varria a cidade, e também porque Tio Ben fora vítima de um criminoso, Peter Parker enveredou na luta contra os malfeitores. Assim, imaginou um traje que passou a usar sob as vestes, adotando o cognome de O Homem-Aranha. Sob essa identidade, tornou-se temido. Inúmeras vezes, O Homem-Aranha tem colaborado com as autoridades, salvando vidas em perigo, lutando contra o submundo do crime ou usando sempre seus poderes para o Bem.”

A imagem do alto é um papel de parede que fiz com o desenho de abertura da primeira história publicada na revista O Homem-Aranha nº1, cuja reprodução da capa  aparece no detalhe. Para baixar este wallpaper, basta clicar nele. Para baixar fotos do filme do Homem-Aranha, clique aqui.

Cheyenne, um dos Reis do faroeste

Cheyenne - Clique para baixar este wallpaper
A imagem acima é um papel de parede que fiz a partir de um desenho retirado da história A Oeste do Rio, publicada no primeiro número da revista Reis do Faroeste, 3ª série, publicada em janeiro de 1970 pela Editora Brasil-América (Ebal ), que na época comemorava 25 anos de existência. A publicação trazia as aventuras de Cheyenne, um cowboy interpretado por Clint Walker na série de TV de mesmo nome (lançada nos Estados Unidos em setembro de 1955). O personagem permaneceu na revista até a edição número 25, publicada em janeiro de 1972.
Para ler mais sobre Cheyenne e os Reis do Faroeste, clique aqui. Para iniciar o download do papel de parede acima, basta clicar nele.