Um Blog em Quadrinhos


A turma da Mônica e o quadrinho nacional by Francisco


Hoje é o Dia do Quadrinho Nacional. Mas, que tal comemorarmos a Semana do Quadrinho Nacional? Ou o Mês? ;-)

Bom… todo dia é dia de quadrinho nacional. E para celebrar pelo menos hoje, publicamos acima a capa da revista de uma legítima representante deste glorioso quadrinho: Glada Gänget! Entendeu? Não? Nada como consultar o Google Translate para nos ajudar nessa missão quase impossível e descobrirmos que se trata da revista sueca Gang Feliz, nome dado para a Turma da Mônica na Suécia. Este é o primeiro número da revista que foi publicada há 35 anos! Isso foi em 1977, mas não nos perguntem o mês… afinal, já traduzimos o título da publicação, oras!

Também é muito legal conhecer o nome que os suecos deram para alguns dos personagens da turminha criada pelo nosso Mauricio de Sousa: Monica é Monika (essa é fácil); Cebolinha é Robban; Cascão é Smutsus; Magali é Pysan; Bidu é Bitsy; Floquinho é Moppen; o elefante mais amado do Brasil é Flumbo; e o Horácio é chamado de… Amfibio.

Para completar, publicamos acima a capa do segundo número da revista Mônica, que chegou às bancas do Brasil em junho de 1970, lançada pela Editora Abril (que estava completando 20 anos de sua fundação).

Ao lado, Cebolinha e Cascão em um dos diversos momentos “sem noção” do galoto que tloca os “eles” pelos “eles”. E abaixo, um momento romântico entre Jotalhão e Rita Najura. O amor é lindo!

Todas as imagens podem ser ampliadas em ótima resolução: basta clicar nelas.

Aproveite que você está lendo este texto e CLIQUE AQUI para ler uma ótima entrevista que Mauricio de Sousa concedeu ao Jornal da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), uma publicação mensal distribuída para jornalistas.



Naiara vira wallpaper by Francisco


Graças ao leitor Gustavo Machado, que enviou para Um Blog no Planeta Mongo a quarta edição da revista Naiara, A Filha de Drácula digitalizada em ótima resolução, pudemos criar o papel de parede acima a partir da capa da publicação lançada pela Editora Taika em 1968. Você, fã de Nico Rosso, da personagem e de histórias de terror, pode baixar a imagem para embelezar seu desktop. Ao lado, o leitor aprecia em alta resolução (clique para ampliar) um quadrinho da 25ª página da história A Teia Diabólica publicada nessa edição da revista onde Naiara bebe o sangue de uma vítima numa taça gigante. Drácula não faria melhor! A vampira Naiara foi uma sacada primorosa dos editores da Taika que queriam explorar o charme e o veneno da mulher-vampira brasileira!

Leia mais sobre o pai de Naiara, o temível Drácula, clicando aqui.



Agostini criou a primeira hq de aventuras do mundo! by Francisco


Um livro importantíssimo para o resgate da obra de Angelo Agostini na História da cultura brasileira é As Aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora, de autoria do pesquisador Athos Eichler Cardoso, cuja primeira edição foi lançada em 2002 dentro da série Edições do Senado Federal. O livro recebeu o Troféu HQ Mix na categoria Valorização dos Quadrinhos. Esse foi um dos motivos para o lançamento de uma segunda edição em 2005.

O álbum reproduz, com cuidadoso trabalho de restauração digital, os capítulos das primeiras histórias em quadrinhos brasileiras, criadas pelo mestre Agostini. São elas: As Aventuras de Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte, (vemos o atrapalhado Nhô-Quim em dois momentos acima e embaixo) publicados em página dupla na Vida Fluminense, e As Aventuras do Zé Caipora, publicadas na Revista Illustrada, em Don Quixote e, numa última fase, em O Malho.

Folhear este álbum impresso em papel couchê e no formato A4 é voltar no tempo e descobrir um verdadeiro tesouro artístico, criativo e absolutamente pioneiro. É compreender melhor como era o Brasil, sua gente e seus costumes em fins do século 19. A recuperação desses documentos, portanto, é essencial para manter um registro iconográfico fiel desse período.

Publicada a partir de 1869, As Aventuras de Nhô-Quim foi a primeira história em quadrinhos brasileira e a quinta do mundo. A primazia de ser o pioneiro coube a um caricaturista suíço, Rodolphe Topffer, que publicou em 1827 a história Monsieux Vieux Bois. Hoje o autor é considerado o pai dos quadrinhos, apesar de seus traços serem bem primários, quase infantis (como se pode ver clicando no link). A história Monsieur Reac, criada em 1948 pelo fotógrafo e desenhista francês Nadar, pseudônimo de Gaspard-Félix Tournachon, é considerada a segunda hq. A dupla endiabrada Max und Moritz, famosa criação do pintor e caricaturista alemão Wilhelm Busch, chegou em 1865 e, dois anos depois Ally Sloper começaria a ser publicada regularmente na revista britânica Judy com desenhos de Charles H. Ross – que também escrevia as histórias – e a elegante arte-final da cartunista francesa Marie Duval, pseudônimo de Emilie de Tessier (que era mulher de Ross).

Uma enorme diferença de 67 anos separa a história em quadrinhos de Topffer da criação do desenhista norte-americano Richard F. Outcault, The Yellow Kid, que era alardeado aos quatro ventos como o primeiro personagem dos quadrinhos (“comics” dos Estados Unidos). Como se pode ver, não é! Yellow Kid só começou a ser publicado em 1894. Até o nosso Zé Caipora, de Angelo Agostini, estreou 11 anos antes do garoto amarelo lançado no New York World, de Joseph Pulitzer!

Quando começou a desenhar As Aventuras de Zé Caipora, em 27 de janeiro de 1883, Agostini já era um quarentão famoso, dono da principal publicação ilustrada da Corte (a Revista Illustrada) e de um traço refinado. Zé Caipora começou cômico, mas o personagem ganhou nova dimensão criativa e gráfica logo depois, quando se torna um aventureiro. A arte seqüencial de Agostini é dinâmica, ágil, elegante e, como linguagem moderna de quadrinhos, antecede em muito tempo seus congêneres Tarzan e Príncipe Valente, ambos de Hal Foster; e Flash Gordon e Jim das Selvas, de Alex Raymond.

Como ressalta Athos Cardoso em seu livro, “cabe a Angelo Agostini o título de avô das tiras de aventura, como precursor da temática e a Zé Caipora, o de primeiro herói brasileiro e universal do gênero”. Realmente, As Aventuras de Zé Caipora pode ser considerada, sem sombra de dúvidas, a primeira história em quadrinhos de aventura do mundo. Que nos desculpe Hal Foster.

Agora só falta o Conselho Editorial do Senado Federal autorizar uma terceira reimpressão do livro, pois a segunda edição também já se encontra esgotada. A memória brasileira merece.

As três páginas que ilustram este texto foram extraídas da história em quadrinhos As Aventuras de Zé Caipora. Nosso herói enfrenta uma onça e coloca a vida em risco para salvar a índia Inaiá! Bravura indômita!
Clique nas imagens para ampliá-las em ótima resolução e ver os detalhes do traço de Agostini.




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