Um Blog em Quadrinhos


80 anos do Reizinho, de Otto Soglow by Francisco


Além de Dick Tracy, outro personagem ícone dos comics americanos sugiu há 80 anos. Criado por Otto Soglow, o simpático The Little King começou a ser publicado em 1931 na conceituada revista The New Yorker. O traço de Soglow era muito elegante e sofisticado e seu Reizinho – como ficou conhecido no Brasil – logo ganhou fama e dois anos depois estrelava uma série de desenhos animados desenvolvida pela Van Beuren Studios. Na década de 1950 The Little King foi publicado também em revistas em quadrinhos pela Dell Comics (como a historieta abaixo, publicada em 1955). As histórias do personagem foram produzidas ininterruptamente até a morte de seu criador, em 1975.

Mas a boa notícia para quem curte quadrinhos clássicos é que a IDW Publishing promete lançar em março de 2012 um luxuoso livro de 432 páginas que resgata boa parte das tiras cômicas da principal criação de Soglow. O livro se chama Cartoon Monarch: Otto Soglow and the Little King e já pode ser encomendado no site da Amazon. Finalmente o trabalho do artista que inspirou uma geração de desenhistas ganha sua retrospectiva e poderá ser apresentado também às novas gerações. A IDW é a mesma editora responsável pela excelente coleção The Complete Chester Gould’s Dick Tracy, que publica desde 2006 todas as tiras de Dick Tracy desenhadas pelo seu criador, Chester Gould.

Para assistir a um dos desenhos clássicos do Reizinho, CLIQUE AQUI. A imagem do alto deste texto é um papel de parede exclusivo, presente deste blog, e que pode ser salvo em seu desktop. Todas as imagens podem ser ampliadas em boa resolução.



Surge Dick Tracy, de Chester Gould by Francisco


Há 80 anos, o famoso detetive Dick Tracy fazia sua estréia no dia 4 de outubro de 1931. Sua tira diária inaugurou o gênero policial nos quadrinhos e começou a ser publicada no jornal Detroit Mirror que tinha uma circulação de 170 mil exemplares na época. O jornal parou de circular repentinamente em agosto de 1932, mas a tira criada por Chester Gould continuou e se tornou um grande sucesso, principalmente por causa dos vilões bizarros, que eram ainda mais esquisitos que os do Batman. Gould escreveu e desenhou sua tira até 1977.

As duas imagens que ilustram este texto são wallpapers exclusivos que podem ser baixados para serem usados em seu desktop.



Agostini criou a primeira hq de aventuras do mundo! by Francisco


Um livro importantíssimo para o resgate da obra de Angelo Agostini na História da cultura brasileira é As Aventuras de Nhô-Quim & Zé Caipora, de autoria do pesquisador Athos Eichler Cardoso, cuja primeira edição foi lançada em 2002 dentro da série Edições do Senado Federal. O livro recebeu o Troféu HQ Mix na categoria Valorização dos Quadrinhos. Esse foi um dos motivos para o lançamento de uma segunda edição em 2005.

O álbum reproduz, com cuidadoso trabalho de restauração digital, os capítulos das primeiras histórias em quadrinhos brasileiras, criadas pelo mestre Agostini. São elas: As Aventuras de Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte, (vemos o atrapalhado Nhô-Quim em dois momentos acima e embaixo) publicados em página dupla na Vida Fluminense, e As Aventuras do Zé Caipora, publicadas na Revista Illustrada, em Don Quixote e, numa última fase, em O Malho.

Folhear este álbum impresso em papel couchê e no formato A4 é voltar no tempo e descobrir um verdadeiro tesouro artístico, criativo e absolutamente pioneiro. É compreender melhor como era o Brasil, sua gente e seus costumes em fins do século 19. A recuperação desses documentos, portanto, é essencial para manter um registro iconográfico fiel desse período.

Publicada a partir de 1869, As Aventuras de Nhô-Quim foi a primeira história em quadrinhos brasileira e a quinta do mundo. A primazia de ser o pioneiro coube a um caricaturista suíço, Rodolphe Topffer, que publicou em 1827 a história Monsieux Vieux Bois. Hoje o autor é considerado o pai dos quadrinhos, apesar de seus traços serem bem primários, quase infantis (como se pode ver clicando no link). A história Monsieur Reac, criada em 1948 pelo fotógrafo e desenhista francês Nadar, pseudônimo de Gaspard-Félix Tournachon, é considerada a segunda hq. A dupla endiabrada Max und Moritz, famosa criação do pintor e caricaturista alemão Wilhelm Busch, chegou em 1865 e, dois anos depois Ally Sloper começaria a ser publicada regularmente na revista britânica Judy com desenhos de Charles H. Ross – que também escrevia as histórias – e a elegante arte-final da cartunista francesa Marie Duval, pseudônimo de Emilie de Tessier (que era mulher de Ross).

Uma enorme diferença de 67 anos separa a história em quadrinhos de Topffer da criação do desenhista norte-americano Richard F. Outcault, The Yellow Kid, que era alardeado aos quatro ventos como o primeiro personagem dos quadrinhos (“comics” dos Estados Unidos). Como se pode ver, não é! Yellow Kid só começou a ser publicado em 1894. Até o nosso Zé Caipora, de Angelo Agostini, estreou 11 anos antes do garoto amarelo lançado no New York World, de Joseph Pulitzer!

Quando começou a desenhar As Aventuras de Zé Caipora, em 27 de janeiro de 1883, Agostini já era um quarentão famoso, dono da principal publicação ilustrada da Corte (a Revista Illustrada) e de um traço refinado. Zé Caipora começou cômico, mas o personagem ganhou nova dimensão criativa e gráfica logo depois, quando se torna um aventureiro. A arte seqüencial de Agostini é dinâmica, ágil, elegante e, como linguagem moderna de quadrinhos, antecede em muito tempo seus congêneres Tarzan e Príncipe Valente, ambos de Hal Foster; e Flash Gordon e Jim das Selvas, de Alex Raymond.

Como ressalta Athos Cardoso em seu livro, “cabe a Angelo Agostini o título de avô das tiras de aventura, como precursor da temática e a Zé Caipora, o de primeiro herói brasileiro e universal do gênero”. Realmente, As Aventuras de Zé Caipora pode ser considerada, sem sombra de dúvidas, a primeira história em quadrinhos de aventura do mundo. Que nos desculpe Hal Foster.

Agora só falta o Conselho Editorial do Senado Federal autorizar uma terceira reimpressão do livro, pois a segunda edição também já se encontra esgotada. A memória brasileira merece.

As três páginas que ilustram este texto foram extraídas da história em quadrinhos As Aventuras de Zé Caipora. Nosso herói enfrenta uma onça e coloca a vida em risco para salvar a índia Inaiá! Bravura indômita!
Clique nas imagens para ampliá-las em ótima resolução e ver os detalhes do traço de Agostini.




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