Um Blog em Quadrinhos


Henson e seus bonecos by Francisco


Se vivo fosse, Jim Henson teria feito 75 anos no final de setembro. Morreu jovem, com apenas 53 anos, este grande manipulador de bonecos, criador de programas infantis de enorme sucesso como Vila Sésamo (Sesame Street) e Muppet Show. Estes começaram na tv em programas bem criativos e logo chegaram à tela grande, estrelando seus próprios filmes no cinema. A franquia, que agora pertence à Disney, continua viva até hoje: o novo filme dos Muppets estréia no início de dezembro no Brasil aproveitando as férias de final de ano (para baixar mais imagens desse filme, clique no link).

No cinema Jim Henson realizou produções de grande bilheteria. Dirigiu e escreveu O Cristal Encantado (The Dark Crystal) ao lado de seu amigo Frank Oz, filme com bonecos animados lançado em 1982. Quatro anos depois, dirigiu, colaborou no roteiro e criou os bonecos de outro grande sucesso do cinema, Labirinto (Labyrinth), um musical estrelado por David Bowie e Jennifer Connelly.

Caco, o Sapo (chamado de Kermit the Frog nos Estados Unidos) é um de seus personagens mais conhecidos. Ele aparece num dos três simpáticos wallpapers criados para este blog com imagens de divulgação do novo filme da Disney (clique nas imagens coloridas para baixar cada papel de parede e enfeite seu computador).

Ele também é a estrela e se multiplica em dezenas numa pequena pérola da animação realizada por Oury Atlan, Thibaut Berland, Damien Ferrie, quinze anos depois da morte de Jim Henson, em 2005. Chama-se Overtime e o filme faz um emocionante tributo ao criador de bonecos (clique na imagem em preto e branco e assista).



Liniers vê os publicitários by Francisco
10 novembro 2011, 0:44
Filed under: Comics - Quadrinhos, Liniers | Tags: ,


Esses dois quadrinhos aí de cima são só o início de uma das tiras da série Bonjour, de Liniers. Desta vez suas vítimas são os publicitários. Para ler a tira toda, dê um clique nos quadrinhos e a tira do desenhista argentino aparecerá na tela de seu computador com toda a sua força irônica e deboche. Ou então compre o álbum Bonjour, lançado pela Zarabatana Books, que é ótimo! (Claro… é Liniers!)



As viagens de André Toral by Francisco


Quando se lê uma história em quadrinhos criada por André Toral, logo se tem certeza de que aquelas páginas têm algo que a diferenciam de boa parte da produção do gênero. Não se trata apenas do seu traço marcante e dos criativos enquadramentos. Seus quadrinhos têm consistência histórica, roteiros minuciosamente elaborados e os diálogos dos personagens geralmente reproduzem o tempo e o local onde estão inseridos. Adeus Chamigo Brasileiro, verdadeira obra-prima que conta histórias sobre a Guerra do Paraguai, é fruto de uma profunda pesquisa acadêmica e foi sua tese de doutorado. “O quadrinho é uma linguagem tão boa quanto a literatura para se falar de ciência. O quadrinho não ilustra o texto, tem autonomia como linguagem”, disse Toral em entrevista publicada recentemente no Jornal da ABI.

Filho de dois destacados intelectuais – a historiadora e crítica de arte Aracy A. Amaral e o prestigiado artista plástico chileno Mário Toral –, desde criança o quadrinista conviveu num ambiente rodeado pela arte, mas chegou a ter complexo por não fazer uma “arte séria”, e sim quadrinhos. Puro engano. Sua obra é consistente e faz parte do que de melhor se produziu em hq no Brasil.

André Toral é antropólogo e atuou por trinta anos como indigenista a serviço de diversos órgãos públicos. Seu autor preferido é Hergé, criador de um personagem ícone das bandas desenhadas européias: Tintin. “Hergé me ensinou que hq é trabalho duro, nada vem fácil, tudo tem que ser construído”, disse. Mas ele confessa que tem uma relação “agoniada” com os quadrinhos: “Desenho muito devagar no lápis. Faço, não gosto; faço, não gosto; faço, gosto, acordo, não gosto, apago, faço de novo. Isso é defeito de quem nunca ganhou dinheiro com quadrinhos, como é o meu caso”, admite.

Seu envolvimento com essa arte começou na cultuada revista Animal. O álbum de estréia foi O Negócio do Sertão: Como Descolar uma Grana no Século XVII, premiado com o Troféu HQMix de Melhor Roteirista. Recentemente chegou às livrarias um novo álbum que reúne algumas das pequenas histórias publicadas na revista Brasileiros: Curtas & Escabrosas mostra que as narrativas não precisam ter muitas páginas para serem uma grande história. A maioria tem apenas duas. Pouco, mas o suficiente para Toral nos surpreender a cada quadrinho.

Eu e César Silva, editor do excelente blog Mensagens do Hiperespaço, entrevistamos André Toral para o Jornal da ABI. Ele nos contou também seu processo de criação e os perigos que enfrentou como antropólogo: “Eu não tinha a menor idéia do poder das pessoas com a qual a gente se batia, das ameaças concretas que estavam rolando”. Não é à toa que a leitura de seus quadrinhos é tão densa e prazerosa. “Faço uma história e ela vale pelo que se desenvolve. A travessia é o que conta, não é a chegada. A viagem é o importante”.

Para ler a entrevista, clique no link do Jornal da ABI (acima).

Todas as imagens publicadas podem ser ampliadas. Clique nelas.




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